“Não nasci para ser adequada, coerente, adorável. Nasci para ser gente. Para sentir de verdade. Tenho vocação para transparências e não preciso ser interessante o tempo todo. Por isso, não espere que eu supere as suas expectativas: às vezes, nem eu supero as minhas.”
“Tropeçantes obsessões emolduraram-me com estacas. Os meus olhos se embaraçaram no pecado antes que terminasse o dia, e abraçou para si a cegueira, por amar demais as sombras da noite. Renunciou de ti os horizontes, as auroras, e todas as cores do céu; Os faróis se apagaram pra sempre. Já não há luz que me guie nessa névoa de tormentos árduos e emaranhados. As janelas de minha alma se fecharam por tempestades. De nada me valem as cortinas penduradas […] E agora, o que guiará meus passos ternos por essa terra de esperanças apodrecidas no relento da perdição? O que me protegerá dos assombros que os galhos secos denunciam sem tempo? O que me tirará os fôlegos desnudos, se já não há mais beleza, nem prazeres, nem mesmo um mísero oásis pra me roubar um sorriso passageiro? Em meu rosto escorre as lágrimas de uma alma sem causa, nem sombra, sem vida. Resta-me a ânsia de vagar pelas calçadas da eternidade efêmera, ou rastejar-me nas pegadas do que nunca esteve comigo. Sobre minhas ruínas degeneradas, sopram os ventos da angústia, levanto para outros ares as cinzas mortas de meus pesadumes arcanos. Sigo, e, sem saber pra onde, procuro um féretro, uma fenda, cova, ou apenas um solo que me aceite, pra que eu possa deitar e repousar esse fardo de luto, de minha alma que morreu, e esqueceu de avisar os meus sonhos. O silêncio jazerá sobre minha lápide, sobre mim, e sobre todos os meus gritos que nunca foram cantados antes de dormir.”