One Life

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  • “Você aperta os olhos para não chorar, tenta se controlar. E quando vê que não suporta, outros mililitros escorrem na fronha que você usa para esconder o rosto de mim. Diz que sou um menino mau, muito mau. Esperneia, vocifera gasguita e treme para não rir. Não me desculpo, eu precisava fazer, não importava o quanto fosse doer, me dá uma fissura, eu tinha de fazer. Cada santo dia daquele ano que você ficou-ficando com aquele mentecapto, prometi a mim mesmo que na primeira oportunidade eu morderia sua bunda. Bem forte. Pra deixar marcas róseas de dente e resquícios de saliva. Uma mordida de boca cheia, pra você sentir em dez segundos a fração de dor que eu sentia cada vez que via ele parafusar o antebraço na sua cintura, e não eu. O que eu não contei, nem poderia, é que eu sempre quis. Sei lá eu o quê, ninar você, te abraçar por trás na frente de todo o pessoal e te chamar de minha-garota, explicar como funciona meu trabalho, comer você puxando seus cabelos cor de tempestade. Aquela noite quando foram todos beber margaritas e eu fiquei doente no quarto do hotel porque não sabia o malefício de um banho de mar após uma sessão de sauna. Gripe, você me entupindo de remédios, medindo minha febre louca por você a cada quarto de hora. Você que tinha outro, você que lamentava no meu colo por ele só gostar de vê-la nas quintas à noite, você que deitou do meu lado inocentemente com três centímetros quentes de separação, e eu, que nunca perco uma chance de me dar bem, não conseguia nem me mexer, ardendo em frio. Talvez eu tenha deixado escapar alguma coisa em pleno delírio, porque na manhã seguinte você me olhava de um modo esquisito. Mas olhava. Olhava, olhava, olhava. Dócil, atrapalhada, dúbia, vacilante. E agora estamos rindo daquele veraneio, com dores no maxilar e arcadas dentárias tatuadas na bunda. Lembra quando adormeci com todos os meus braços e pernas e pesos em cima de você encurralada, querendo desesperadamente mijar? Você e seus filmes chatos com crianças sofrendo de leucemia no meio, bem-feito. Enfim: sós e assobiando. Sem aquela desculpa esfarrapada de “se melhorar estraga, acho melhor ficarmos na amizade, o que você acha?” Eu concordava porque eu tinha que concordar, o cara era meu camarada. Mas, na boa, a gente sempre repartiu o mesmo pôr-do-sol. “Será que um dia você vai olhar pra mim sem querer algo mais?”, você me perguntou sentada no volante, eu no carona, seu brutamonte apagado de tequila no banco de trás. O carro na areia, a lua no céu, a voz do Johnny no rádio, o píer sem luz, a promessa de calor afetivo e meteorológico, nossas bocas sem nada pra fazer, sem nada a dizer, com muito a beijar. E o seu-namorado-meu-amigo roncando todo vomitado, atravancando nosso romance e dando uma de Muralha da China na parte de trás. Não dá pra esquecer a gente se esquivando dos afagos ensaiados, mas os lábios frios, sentindo que algo não estava certo, depois ganhando o Nobel da Paz por evitar o irresistível. Você me falou que não queria se sentir suja. Eu fiz minha cara pronta de quem sabe esperar. Because you’re mine, I walk the line. Agora estamos aqui, as pernas enroscadas e os corpos melequentos de suado, depois de tanta culpa e castração. Bolando um plano pra ninguém nos pegar, sem sair na rua há três dias, cheios de respostas fluorescentes e óbvias adesivadas nas paredes, tentando descobrir o que estamos fazendo afinal, se isso pelo qual estamos nos deixando levar é ópera de tão sério, diversão de carnaval, ou pleno e contraventor como um bom rock n’ roll. Você admitindo que estava errada o tempo todo, eu confessando que sempre quis ter você na minha cama. Você me olhando como se eu fosse parte sua. Eu à espreita de morder a sua bunda, enquanto você estiver sonhando distraída com esse nosso futuro chegando no uivo do próximo vento lá fora. Se ninguém nos perdoar, a gente se manda. Se você não suportar minha companhia, a gente se ajeita. Se isso nos matar do coração, a gente se assopra. Se for passageiro, a gente se poupa. Será que a gente consegue voltar a ser só amigos? Vamos encarar, nas entrelinhas tortas a gente nunca foi só isso. E se não for tudo que a gente espera? Sei lá, é muito tarde pra saber. Por que… Quanta pergunta, não sei, quero namorar você, acho que pra morder sua bunda a hora que estiver a fim. Agora só quero saber o que você pensa de comida chinesa. Só quero ver se você deixa eu guardar essa calcinha de recordação. Só quero dizer que você é minha coisa mais favorita do mundo. Só quero voltar àquela praia e continuar o que a gente começou.”
    — Eu sempre quis - Gabito Nunes.     (via cardiologista)

    (via cardiologista)

    Fonte: pouco-perfeita
    • Há 1 dia
    • 2429 notes
  • “Eu escrevo pelo ar que eu não tenho
    e pelas bocas mudas que não sei contar. Pelo clima que dissecou meu corpo. Pela tua apatia, nua e crua, assim como tua omissão em relação à não-ser. Escrevo pelas mãos que fenecem e pelo peito estorvado que não sabe da dor. Eu escrevo pela dor. Pela dor de não saber. Pela dor de não ter. Pela dor de amar o desamável. Pelas saudades engolidas e ingeridas como forma de paz. Por que eu escrevo? Porque, as perguntas, em si, não importam: importa a solidão que fica menos árdua quando se tem as palavras, o abraço como forma de proteção, e a voz, uníssona, ecoa a morte que expeliu em mim, de mim. Eu escrevo por me negarem amor, por esquecerem que estou aqui, no agora, no hoje, por me negarem os braços, e o calor, e a vida, a vida… porque a vida é o desconhecido sob o conhecido que tento conhecer mas que não conheço. Escrevo para não chorar, para que eu não grite e, realmente, se eu pudesse gritar, assim eu faria. Eu gritaria bem alto, bem forte, como um tapa/soco/chute: eu quero paz. Eu escrevo pelos caminhos por onde não caminhei. Pelo amor que não veio. Pela tristeza de ser, do ser, do ser eu, meu, e, às vezes, teu. Escrevo por gostar da imensidão do céu e ver, no abismo, uma flor, inexata, assim como meus pés que não vão, não sentem, não tocam. Eu escrevo pelo toque que não recebo de ti, e pelo frio que congela, e pelas multidões que se igualam e se matam. Eu escrevo senão morro. E morrer não, não assim, sem glória. Eu escrevo para dizer as verdades que há em mim, e para não sufocar a ideia de amor que criei como álibi para momentos de diáspora. Eu escrevo porque só tenho a mim, e porque o “mim” é o maior que pode ser. Eu escrevo porque encontro em mim, mesmo que em buracos/frangalhos/cacos, as palavras, o sentimento, a emoção. (por que ele escreve)”
    — Igor Pires. (via cardiologista)

    (via cardiologista)

    Fonte: floresinexatas
    • Há 1 dia
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  • (via c-isnenegro)

    Fonte: discolor3d
    • Há 1 dia
    • 19088 notes
  • “O silêncio é apenas uma forma de se dizer que há muito no que pensar.”
    — Jô Soares. (via nevou)

    (via nevou)

    Fonte: trecho-de-livros
    • Há 4 dias
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  • (via c-isnenegro)

    Fonte: iz0mbie
    • Há 4 dias
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  • “Só que muitas vezes eu preciso de cuidado e atenção e não sei pedir.”
    — Clarissa Corrêa. (via evidence-s)

    (via evidence-s)

    Fonte: bipolarefeliz
    • Há 6 dias
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  • (via outros-relevantes)

    Fonte: plasmatics-life
    • Há 6 dias
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  • (via distrit012)

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    • Há 6 dias
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  • (via distrit012)

    Fonte: heyy-you-beautiful
    • Há 6 dias
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  • “Mas é horrível passar um dia após o outro sem ter certeza de nada.”
    — The Vampire Diaries. (via filosofiadethereza)

    (via distrit012)

    Fonte: versificar
    • Há 6 dias
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